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ISO 2603--Cabinas de Interpretacão Simultãnea

Características Gerais e Equipamento

PREÂMBULO

A OIN (Organização Internacional de Normalização) é uma federação mundial constituída por organismos nacionais de normalização (comités membros da OIN). A elaboração das Normas Internacionais fica normalmente a cargo dos comités técnicos da OIN. Todos os comités membros interessados na elaboração de um estudo poderão fazer parte de um comité técnico especialmente criado para esse efeito. Tanto as organizações internacionais, como as governamentais e não governamentais, participam nos trabalhos, juntamente com a OIN. Esta última actua ainda em estreita colaboração com a Comissão Electrotécnica Internacional (CEI), no que diz respeito à normalização electrotécnica.

Os projectos de Normas Internacionais adoptados pelos comités técnicos são sujeitos a votação dos comités membros. A sua publicação enquanto Normas Internacionais requer a aprovação de, pelo menos, 75% dos comités membros votantes.

A Norma Internacional ISO 2603:1998 foi elaborada pelo:

Comité Técnico ISO/TC 43, Acoustics, subcomité SC 2, Building acoustics.

Esta terceira edição anula e substitui a segunda edição (ISO 2603:1983).

A norma ISO 2603 foi publicada pela primeira vez em 1974, tendo sido revista em 1983. Procedeu-se então ao alargamento do seu âmbito de aplicação de modo a abranger as instalações preparadas para a interpretação de mais de seis idiomas. A norma tem por base as instalações concebidas desde essa altura e é avaliada pela Comissão Técnica da Associação Internacional de Intérpretes de Conferência (AIIC) e pelo Serviço Comum Interpretação-Conferências (SCIC) da Comissão Europeia (UE). A presente edição pretende adequar o texto à pratica e tecnologia moderna, bem como esclarecer e simplificar o seu conteúdo tendo em vista a compreensão do utilizador.

O anexo A da presente norma internacional é apenas de carácter informativo.

ã ISO 1998

Reservados todos os direitos. Salvo eventuais prescrições em contrário, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer processo electrónico ou mecânico, incluindo fotocópia ou microfilme, sem autorização escrita do editor.

Organização Internacional de Normalização

Case postale 56 . CH-1211 Genève 20 . Suíça

Internet

 

INTRODUÇÃO

A concepção das cabinas de interpretação deve cumprir três requisitos:

  1. a separação acústica dos diferentes idiomas falados em simultâneo, de modo a evitar interferências recíprocas entre os idiomas interpretados ou com o orador da sala de conferência;
  2. permitir uma boa comunicação nos dois sentidos entre, por um lado, os intérpretes e os conferencistas e, por outro, entre as diversas cabinas de interpretação;
  3. criar um ambiente de trabalho confortável que permita aos intérpretes manter os intensos níveis de concentração exigidos pelo seu trabalho.

São ainda aceitáveis as instalações existentes, concebidas em conformidade com a norma ISO 2603:1983.

Além do recurso aos arquitectos, engenheiros projectistas, fornecedores, etc., é essencial consultar, desde o início da planificação, intérpretes de conferência, com experiência em consultoria técnica.

Norma Internacional Ó ISO ISO 2603:1998(P)

1 Âmbito de aplicação

A presente norma internacional estabelece os requisitos essenciais a cumprir desde a elaboração dos primeiros planos de instalação ou renovação de cabinas fixas de interpretação simultânea em edifícios novos ou já existentes.

A norma é aplicável a todos os tipos de cabinas fixas providas de equipamento fixo ou portátil.

NOTA 1 Os requisitos aplicáveis às cabinas móveis de interpretação simultânea constam da norma ISO 4043.

Aquando da concepção de novos edifícios, as cabinas devem integrar-se de forma óptima na estrutura, de forma a constituir um conjunto bem equilibrado com a sala de conferência. Tanto a sala de conferência, como as cabinas devem receber a luz do dia.

Os requisitos constantes dos números 4 e 5 aplicam-se às cabinas providas de equipamento fixo, tal como definidas no ponto 3.1, e às cabinas providas de equipamento portátil, como definidas no ponto 3.2.

Os requisitos dimensionais são igualmente aplicáveis às cabinas semi-permanentes, tal como definidas no ponto 3.3, às quais se aplicam, na medida do possível, todos os restantes requisitos.

Além dos requisitos de estrutura e concepção, a presente norma internacional define ainda os componentes das instalações-tipo utilizadas em conferências, que constituem o ambiente de trabalho dos intérpretes.

NOTA 2 O número 12 fornece algumas indicações relativas à utilização conjunta de aparelhos de som e sistemas de interpretação simultânea.

2 Referências normativas

As normas a seguir referidas contêm disposições que, pela referência que lhes é feita, se constituem em disposições da presente norma internacional. Na altura da sua publicação, as edições indicadas estavam ainda em vigor. Toda e qualquer norma é sujeita a revisão e as partes em acordos baseados na presente norma internacional são encorajadas a investigar a possibilidade de aplicarem as edições mais recentes das normas abaixo indicadas. O registo das normas internacionais em vigor pode ser obtido junto dos membros da IEC e da OIN.

ISO 140-4:1998, Acoustics - Measurement of sound insulation in buildings and of building elements - Part 4: Field measurements of airborne sound insulation between rooms.

ISO 3382:1997, Acoustics - Measurement of the reverberation time of rooms with reference to other acoustical parameters.

CEI 60914:1998, Conference systems - Electrical and audio requirements.

3 Definições

Para efeitos da presente norma internacional, aplicam-se as seguintes definições.

3.1 cabina com equipamento fixo: cabina prevista para interpretação simultânea e provida de equipamento de interpretação fixo.

3.2 cabina com equipamento portátil: cabina prevista para interpretação simultânea, mas desprovida de equipamento de interpretação fixo (ver 3.4).

3.3 cabina semi-permanente: cabina não integrada na estrutura do edifício ou concebida para ser deslocada no seu interior.

3.4 painel de controlo do intérprete: painel que inclui todos os comandos relacionados com a audição e a interpretação.

NOTA O painel encontra-se geralmente fixado na própria cabina; caso esteja montado na sua própria base não-fixa, é designado por consola (forma habitual do equipamento portátil).

4 Requisitos relativos à estrutura e concepção das cabinas

4.1 Localização no edifício

As cabinas devem ser instaladas longe de toda e qualquer fonte externa de perturbações, tais como: cozinhas, passagens públicas, foyers, etc. (ver 4.4).

4.2 Localização na sala de conferência

4.2.1 Generalidades

As cabinas devem ser instaladas no fundo e/ou lados da sala, de forma a permitir um bom contacto visual entre as cabinas de interpretação e com a régie. Não devem estar mais elevadas do que o necessário para que delas se tenha uma boa visão de tudo o que se passar na sala (4.7), ou seja, todos os participantes, os oradores, o presidente, etc., bem como todos os acessórios visuais (écran de projecção, etc.). As pessoas que eventualmente estejam de pé não devem poder perturbar a linha de visão das cabinas. Assim, é conveniente que o chão das cabinas esteja situado a, pelo menos, 1 metro acima do chão da sala de conferência, partindo do princípio que este não é inclinado. Os ângulos de visão muito inclinados devem ser evitados (especialmente em relação aos écrans de projecção). Nas salas de grandes dimensões, não deve haver mais de 30 metros de distância entre a tribuna, o écran de projecção, etc. e qualquer das cabinas (ver 4.6).

As cabinas devem ser agrupadas de forma a facilitar o contacto visual (ver 4.7) e as cablagens entre elas.

4.2.2 Régie

A régie deve ser instalada na proximidade das cabinas de interpretação, de forma a possibilitar o acesso e a comunicação visual entre elas e assegurar ao técnico uma boa visão de tudo o que se passar na sala, écran de projecção, oradores, etc. O técnico deve poder aceder rapidamente, sem dificuldades ou perigo, às cabinas e à sala de conferência.

4.3 Portas

As portas devem proporcionar um isolamento sonoro satisfatório (ver 4.8) e funcionar silenciosamente. Não devem existir portas de comunicação entre cabinas. Recomenda-se a instalação de uma vigia de observação (dimensões mínimas: 0,20 m x 0,22 m) na porta da cabina e/ou um indicador luminoso na parte de fora que indique a existência de um microfone ligado no interior da cabina.

As línguas e os canais atribuídos devem ser indicados nas portas ou ao seu lado.

Não é permitida a substituição das portas por cortinas ou écrans acústicos.

4.4 Acessibilidade

A concepção das cabinas deve prever uma entrada distinta e exterior à sala de conferência, por forma a que as deslocações dos intérpretes não perturbem a assistência. O corredor de acesso às cabinas deve ter, no mínimo, 1,50 m de largura, de forma a permitir uma passagem rápida e segura. As escadas, caso existam, devem ser seguras e fáceis de utilizar, tendo em conta eventuais situações de urgência, a passagem de pessoas com mobilidade reduzida, a necessidade de distribuir documentos rapidamente (muitas vezes em carrinhos) e o transporte de equipamento. As saídas de emergência devem ser de fácil acesso e estar claramente sinalizadas. Entre as cabinas e a sala de conferências deve ser prevista uma via de acesso rápido.

4.5 Dimensão das cabinas

4.5.1 Generalidades

Todas as cabinas devem ter largura suficiente para acolher o número de intérpretes estabelecido, confortavelmente sentados lado a lado, dispondo de espaço suficiente para trabalharem comodamente com vários documentos colocados uns ao lado dos outros. As cabinas devem ainda ser suficientemente altas e profundas para que os intérpretes disponham de um volume de ar suficiente, permitindo igualmente uma regulação adequada da temperatura e uma renovação de ar isenta de correntes de ar (ver 4.9). Devem ainda ser suficientemente espaçosas para que os ocupantes possam entrar e saír sem se incomodarem mutuamente.

4.5.2 Dimensões mínimas

Ver figura 1.

A dimensão das cabinas é calculada em função do espaço de trabalho e do volume de ar necessário a cada intérprete. Tendo em conta que cada cabina acolhe, pelo menos, dois intérpretes, estas devem ter as seguintes dimensões mínimas:

  • largura: 2,50 m
  • profundidade: 2,40 m
  • altura: 2,30 m

NOTA 1 Onde for exequível, o aumento da altura da cabina pode favorecer a regulação da circulação de ar e da temperatura.

Em salas de conferência com até seis cabinas, pelo menos uma delas deverá ter 3,20 m de largura (de forma a permitir a presença permanente de três intérpretes).

Em salas de conferência com mais de 6 cabinas, todas elas devem ter, no mínimo, 3,20 m de largura.

NOTA 2 Cada vez mais, as conferências tem tendência a utilizar seis ou mais línguas. Um tal número de línguas, significa que a cabina deve acolher, pelo menos, três intérpretes, aumentando-se, assim, a sua largura mínima para 3,20 m.

Por forma a evitar quaisquer ressonâncias, as três dimensões das cabinas devem ter valores diferentes e, para evitar a ocorrência de ondas estacionárias, as duas paredes laterais não devem ser exactamente paralelas.

Dimensões em metros

*esquema*

Legenda

  1. Tecto falso para climatização
  2. Cablagem
  3. Janela lateral

Figura 1 - Cabina de interpretação simultânea

4.6 Visibilidade

É essencial que os intérpretes tenham uma visão directa de toda a sala de conferência, incluindo do écran de projecção (ver 4.2.1). No caso de salas de grande dimensão, nas quais a tribuna ou o écran de projecção se encontram a mais de 30 metros, poderá ser utilizado um suporte visual, sob a forma de um ou vários écrans de visualização ou de monitores de visualização de dados, instalados no interior das cabinas ou dentro do campo de visão imediato dos intérpretes.

4.7 Vidros

Os vidros frontais devem ocupar toda a largura da cabina. O vidro deve ter, pelo menos, 1,20 m de altura, a contar do nível da superfície de trabalho, encontrando-se o seu limite inferior ao nível ou abaixo da mesma superfície de trabalho (ver figura 1).

Os vidros laterais devem ter, pelo menos, a mesma altura e ocupar 1,10 m , a partir do vidro frontal.

Os montantes verticais devem ser evitados por forma a garantir o maior ângulo de visão possível.

Tanto os vidros frontais como os laterais devem ser constituídos por vidro não colorido anti-reflexo e em conformidade com os requisitos de insonorização (ver 4.8 e ISO 140-4). Os vidros devem ser instalados de forma a evitar a ocorrência de vibrações, o encandeamento devido à iluminação da sala e os reflexos no interior da cabina.

NOTA A tecnologia actual da indústria vidraceira permite alcançar bons resultados através da utilização de um vidro vertical fabricado em vidro laminado de espessura adequada, combinada com uma iluminação por projectores instalados no tecto.

Consoante o tipo de iluminação da superfície de trabalho (ver 5.2) poderá ser necessário inclinar ligeiramente os vidros frontais.

4.8 Acústica

As cabinas devem dar acesso a uma zona que normalmente não seja utilizada pelos conferencistas, funcionários ou público, e não deverão estar colocadas junto a uma fonte de ruído. O chão e as paredes das cabinas e corredores devem em todo o caso ser revestidos com um material de isolamento sonoro.

NOTA A colocação de um revestimento têxtil suficientemente grosso nas paredes e de painéis perfurados no tecto (ver a nota em 4.9) permite alcançar bons resultados. É conveniente utilizar um material com um coeficiente de absorção ponderado (em conformidade com a norma ISO 11654) aw ³ 0,6.

Se o chão for oco, convém tomar todas as precauções possíveis para evitar eventuais efeitos de caixa de ressonância provocados pelo som dos passos.

Deverá ser dada uma atenção especial à insonorização:

  • entre as cabinas de interpretação;
  • entre as cabinas de interpretação e a régie;
  • entre as cabinas e a sala de conferência.

Serão aplicados os seguintes valores acústicos (inclusive às condutas de ar, condutas de cabos, etc.):

  • sala/cabina R’ w = 48 dB
  • cabina/cabina R’ w = 43 dB
  • cabina/corredor R’ w = 41 dB

O valor R’ w encontra-se definido na norma ISO 717-1. No que respeita à medição, ver ISO 140-4.

As condutas de ar (ver 4.9) devem ser correctamente insonorizadas, por forma a evitar a transmissão de ruídos entre as cabinas. O nível de pressão acústica ponderado A, causado quer pelo sistema de climatização (ver 4.9), quer pela iluminação (ver 5.2) quer por qualquer outra fonte sonora não devem ultrapassar os 35 dB.

O tempo de reverberação (ver ISO 3382) no interior da cabina deve situar-se entre 0,3 s e 0,5 s, calculados nas bandas de oitavas de 125 Hz a 4000 Hz (cabina vazia).

4.9 Climatização

As cabinas, ocupadas durante todo o dia, devem ser suficientemente ventiladas.

A alimentação deve ser efectuada com 100% de ar fresco, ou seja, não reciclado. O sistema de climatização das cabinas deve ser independente do sistema do resto do edifício e da sala de conferência.

O ar deve ser renovado sete vezes por hora e a concentração de dióxido de carbono não deve ultrapassar os 0,1%. A temperatura deve ser regulada entre 18 e 22º C por um termostato individual instalado em cada uma das cabinas. A taxa de humidade relativa deve situar-se entre os 45% e os 65%.

A velocidade do ar não deve exceder os 0,2 m/s e a localização das entradas e saídas de ar não deve expor os intérpretes a correntes de ar.

NOTA Foram obtidos bons resultados introduzindo ar puro por um tecto perfurado e extraindo-o por meio de orifícios situados na parte de trás da cabina, no chão ou na parede do fundo.

As condutas de ar não devem propagar o som de umas cabinas para as outras nem propagar o som proveniente de outras fontes sonoras (ver 4.8). Não devem ainda atravessar as paredes divisórias das cabinas. A fim de cumprir os requisitos acústicos, os aparelhos geradores de ruído, tais como as câmaras de Wilson, as divisórias pára chamas, etc. devem ser colocados no exterior das cabinas.

4.10 Condutas de cabos

Devem ser previstas condutas adequadas para a passagem, de uma cabina para outra, dos cabos de comando e respectivos conectores. Após a introdução dos cabos, as aberturas devem manter o mesmo nível de insonorização que as paredes atravessadas.

O acesso a estas condutas deve ser fácil e não requerer a utilização de ferramentas especiais.

5 Interior das cabinas

5.1 Generalidades

Todas as superfícies das cabinas devem ser anti-reflexo, resistentes ao fogo e não tóxicas. Devem ainda ser correctamente insonorizadas (ver 4.8), não atrair ou reter poeiras (não se devem revestir as paredes com alcatifas espessas) e ser fáceis de limpar.

5.2 Iluminação

A iluminação das cabinas deve ser independente do sistema utilizado para a sala de conferência, uma vez que esta é por vezes escurecida para possibilitar a projecção de filmes ou diapositivos.

As cabinas devem estar equipadas com dois sistemas de iluminação diferentes: um de trabalho e outro de utilização geral.

A superfície de trabalho deve ser iluminada por uma lâmpada não fluorescente. Qualquer outro tipo de iluminação necessário para outras utilizações deve ser comandado por um interruptor colocado junto à porta da cabina. Os reóstatos dos dois sistemas de iluminação devem ser facilmente acessíveis ao intérprete, sem que este tenha de se levantar. As fontes de luz não devem provocar reflexos nos vidros da cabina e os dois sistemas, incluindo os reguladores de intensidade e os transformadores, não devem provocar interferências magnéticas ou ruídos audíveis.

A superfície de trabalho prevista para cada intérprete (ver 4.5.1 e 5.4) deve dispor de um candeeiro de secretária compacto, individual e regulável ou de uma fonte de luz vertical e individual com uma intensidade uniforme de, pelo menos, 300 lx, ligada a um circuito de baixa tensão. O interruptor, facilmente acessível ao intérprete, deve permitir a regulação contínua da intensidade luminosa entre 100 lx e 350 lx, ou então, uma regulação a dois níveis: o primeiro situado entre 100 lx e 200 lx, o segundo entre 300 lx e 350 lx (todos estes valores referem-se ao nível da superfície de trabalho).

Os candeeiros de secretária e os ângulos de inclinação dos seus reflectores devem ser concebidos por forma a evitar o encandeamento nos postos de trabalho adjacentes ou na sala. A iluminação de trabalho combinada deve iluminar suficientemente a superfície de trabalho da cabina. Todas as fontes de luz deverão emitir o mínimo de calor possível e ter uma cor adequada.

Os sistemas de iluminação, incluindo os reóstatos não devem provocar perturbações radioeléctricas nos circuitos dos microfones vizinhos. Os interruptores não devem emitir ruídos mecânicos.

Caso seja prevista uma iluminação de tecto, esta deve ser colocada de forma a evitar a projecção de sombras, pelo corpo do intérprete sentado, sobre a superfície de trabalho: documentos, equipamento, material, etc.

Ambas as paredes laterais devem estar providas de uma tomada dupla suplementar, sendo ainda conveniente prever a instalação de ligações destinadas à transmissão de dados.

5.3 Cores

Aquando da selecção das cores da cabina devem ser levadas em conta as dimensões reduzidas do local de trabalho. Todas as superfícies da cabina e o respectivo equipamento devem ser de cores mate.

5.4 Superfície de trabalho e organização dos documentos

Ver figura 1.

A superfície de trabalho deve ser suficientemente sólida para permitir ao intérprete tomar notas e consultar documentos, livros de referência, etc.

Deve ainda ser completamente horizontal e revestida de um material anti-choque que amorteça os ruídos que, de outra forma, seriam captados pelos microfones. Por baixo, a superfície deve ser lisa.

A superfície de trabalho deve apresentar as seguintes características:

  1. posição: na parte frontal da cabina, ocupando toda a sua largura e assegurando, assim, ao intérprete sentado uma visão desafogada de tudo quanto se passar na sala.; deve ser cuidadosamente evitada a propagação de vibrações pelas paredes da cabina;
  2. altura: 0,73 m ± 0,01 m a partir do chão da cabina;
  3. profundidade útil (ou seja, sem o equipamento, material, etc.): 0,45 m em função do ângulo de visão do intérprete sobre a sala;
  4. espaço para as pernas: no mínimo, 0,45 m de comprimento e 0,66 m de altura, os suportes da superfície de trabalho não devem constituir obstáculo.

Organização dos documentos:

  1. as prateleiras e cacifos para documentos não devem ser colocados sob a superfície de trabalho, mas sim na parte de trás da cabina, ao alcance do intérprete;
  2. recomenda-se a utilização de carrinhos para documentos.

5.5 Cadeiras

Todos os intérpretes e técnicos devem ter à sua disposição uma cadeira confortável com:

  1. cinco pés;
  2. altura regulável;
  3. encosto regulável;
  4. braços;
  5. rodízios giratórios silenciosos;
  6. revestimento em material que dissipe o calor;

Devem existir ainda apoios para os pés, independentes e amovíveis.

6 Instalações para os intérpretes

6.1 Sanitários

Deverão existir sanitários separados próximos às cabinas.

6.2 Sala de intérpretes

É conveniente reservar uma sala, nas proximidades das cabinas, destinada à permanência de intérpretes e técnicos. Esta sala deve ser suficientemente grande para acolher, pelo menos, tantas pessoas quantos os postos de trabalho nas cabinas. Deve ainda ter uma porta de acesso privado e ser iluminada pela luz do dia.

É conveniente que esta sala comporte duas zonas distintas, para as seguintes utilizações:

  1. estudo de documentos e afixação de informações;
  2. sala de repouso e de permanência.

Devem ser previstos os seguintes equipamentos e mobiliário:

  1. sofás, cadeiras e mesas;
  2. cabides e bengaleiros;
  3. telefone (linhas internas e rede local);
  4. painéis de afixação (para o programa de cada intérpretes, etc.);
  5. cacifos individuais ou locais para guardar objectos pessoais, documentos, etc.

É conveniente prever uma tomada separada para modem. Deve igualmente existir uma fotocopiadora nas proximidades da sala.

7 Equipamento electroacústico das cabinas de interpretação

7.1 Generalidades

Os requisitos aplicáveis a estes equipamentos (incluindo os dados numéricos) constam da norma CEI 60914. Os principais requisitos são enunciados, a título indicativo, nos pontos seguintes, no entanto, o equipamento utilizado deve estar sempre em conformidade com a versão mais recente da norma CEI 60914.

7.2 Frequência de resposta

Todo o sistema, incluindo a entrada do microfone do orador, os níveis de amplificação, os controlos de nível, os bornes de saída e os controlos dos auscultadores dos intérpretes, deve reproduzir correctamente as frequências sonoras entre 125 Hz e 12500 Hz. Recomenda-se a atenuação progressiva das frequências mais baixas de forma a melhorar a intelegibilidade.

7.3 Amplitude não linear

O sistema não deve ter distorções perceptíveis ao ouvido.

7.4 Ruídos parasitas

Os ruídos parasitas existentes não devem afectar de forma visível a percepção das palavras.

7.5 Interferências entre canais

Deve ser evitada qualquer interferência de outros canais ao nível da entrada dos auscultadores do intérprete.

7.6 Controlo de nível

É conveniente que o controlo de nível do canal do orador seja efectuado manualmente. Caso seja utilizado um controlo automático de nível, os compressores-limitadores deverão respeitar a norma CEI 60914.

8 Painel ou consola do intérprete (ver 3.4)

8.1 Generalidades

Deverá existir um painel ou consola para cada intérprete, com comandos individuais de audição e interpretação, bem como com os indicadores luminosos correspondentes. No entanto, se tal não for possível, poderá ser utilizado um posto com comandos duplos para cada dois intérpretes presentes na cabina, devendo cada um deles dispor de um conjunto de comandos completos.

Embora esteja normalmente incorporada na superfície de trabalho, numa posição ergonómica adequada (ver CEI 60914), o painel (ver 3.4) pode ser montado numa consola independente, não devendo constituir qualquer obstáculo à visão da sala. Deve ser montado no eixo de visão do intérprete sobre a sala a, pelo menos, 0,45 m do bordo da mesa situado à frente do intérprete (ver 5.4), de forma a não ocupar o espaço de trabalho disponível.

NOTA 1 Se as consolas se destinarem a utilização contínua, convém encastrá-las convenientemente na superfície de trabalho.

Os paineis ou consolas deverão apresentar as seguintes dimensões (largura x altura x profundidade):

  • máximo: 0,40 m x 0,15 m x 0,21 m
  • mínimo: 0,30 m x 0,05 m x 0,125 m

NOTA 2 As consolas inclinadas não devem elevar-se a mais de 0,10 m da superfície de trabalho.

A superfície do painel de controlo deve ser mate e anti-reflexo.

Os indicadores luminosos só devem sinalizar funções em serviço (microfones em serviço, canal seleccionado, canal ocupado, etc.) e devem estar situados junto aos comandos correspondentes. O indicador referente ao microfone deverá estar colocado num local visível a todos os ocupantes da cabina sem, no entanto, causar qualquer incómodo aos mesmos. Recomenda-se ainda colocar um círculo luminoso em volta do próprio microfone.

8.2

8.3 Comandos

O estado de funcionamento de todos os selectores e interruptores deverá ser claramente indicado.

Os comandos do painel de controlo devem estar agrupados em grupos distintos, de acordo com critérios ergonómicos:

  1. escuta
  • um selector de canais de entrada,
  • um pré-selector de canais de entrada,
  • um potenciómetro,
  • dispositivos distintos de controlo de graves e agudos;
  1. controlo:
  • um altifalante de controlo (papagaio) com controlo de volume e selector de canal (se necessário);
  1. microfone:
  • um interruptor “LIGADO/DESLIGADO”, com indicador luminoso (efectuando a re-
  • injecção automática do canal do orador na posição “DESLIGADO”),
  • um dispositivo de corte temporário (pausa) que não re-injecte o canal do orador mas apague o indicador de funcionamento do microfone;
  1. selecção do canal de saída:
  • o selector do canal de saída, os visores e os indicadores luminosos correspondentes;
  1. sistema de chamada (opcional):
  • uma tecla de comunicação com o presidente da mesa, o orador ou a régie (opcional),
  • um dispositivo de sinal de chamada (indicador luminoso intermitente),
  • uma tecla de chamada.

Caso seja instalado um indicador luminoso de “sistema ligado”, este deverá ser discreto.

9 Função dos comandos

9.1 Selector do canal de entrada

Os selectores do canal de entrada devem permitir a selecção directa e imediata de qualquer canal. Deles não deve provir qualquer ruído mecânico ou eléctrico. De igual modo, não deve ocorrer qualquer curto-circuito entre dois canais durante o accionamento destes comandos.

9.2 Pré-selecção do canal de entrada

Deverá haver pré-selecção do canal de entrada para pelo menos, um canal de língua de entrada mais o canal do orador .

Os sistemas de interpretação que compreendam mais de 8 canais de línguas (mais o canal do orador) devem dispor de pré-selecção de, pelo menos, dois canais de entrada mais o canal do orador.

9.3 Controlo de volume

Para regular o volume de audição, devem ser utilizados potenciómetros de controlo de volume de alta qualidade, que permitam obter uma progressão logarítmica e eficaz do ponto de vista da audição, em toda a gama.

É vivamente aconselhada a inclusão de um sinal de perigo de traumatismos auditivos no dispositivo de controlo de volume.

9.4 Controlo da tonalidade

O sistema deve ser provido de um dispositivo de controlo de baixos, de forma a atenuar as baixas frequências, e de um dispositivo de controlo progressivo de agudos para amplificar as altas frequências. Os controlos de baixos e agudos devem ser independentes um do outro em toda a sua amplitude.

9.5 Saídas para os auscultadores

Do lado esquerdo do intérprete em posição de trabalho, deverá existir uma tomada para a ligação dos auscultadores ou auscultadores com microfone. A tomada deve estar localizada no bordo livre da superfície de trabalho, de forma a que os fios/cabos de ligação ao painel/consola passem por baixo da mesa, não incomodando o trabalho do intérprete e evitando que se arrastem pelo chão.

NOTA Convém que para cada cabina seja prevista uma segunda tomada à direita de, pelo menos, um dos postos de trabalho, de modo a ter em conta os intérpretes canhotos.

Se for utilizado algum equipamento portátil (ver 3.2), o respectivo fio/cabo de ligação deve ser provido de uma ficha para ligação à tomada dos auscultadores ou auscultadores com microfone do painel.

9.6 Altifalante(s)

O(s) altifalante(s) de controlo (papagaio) permitem ao intérprete retirar temporariamente os auscultadores ao mesmo tempo que continua a seguir os debates, ou ouvir um canal diferente do canal recebido nos auscultadores, enquanto a cabina não trabalha.

O altifalante deve reproduzir normalmente o canal do orador e ser automaticamente desligado quando for ligado um dos microfones da cabina. O altifalante deve ainda possuir um dispositivo de controlo de volume e um selector de canal próprios. Este selector de canal, caso esteja montado, deve ser independente do selector do canal de entrada dos auscultadores.

9.7 Controlo de microfones

Deve ser previsto um interruptor de controlo e um indicador luminoso de funcionamento, vermelho. O indicador de funcionamento deve ser mais visível do que todos os outros indicadores luminosos e bem à vista de todos os ocupantes da cabina. Se for ligado mais de um microfone na mesma cabina ou no mesmo canal de saída, os indicadores luminosos de funcionamento dos microfones correspondentes devem piscar ou poderá ser utilizado um dispositivo de bloqueio mútuo (opcional).

A posição do interruptor deve ser claramente identificável ao tacto.

O microfone deve possuir uma tecla de corte temporário (pausa) que actue apenas durante o tempo em que for pressionada. A tecla deve cortar apenas o canal de saída, sem re-injecção do canal do orador, de forma a permitir ao intérprete tossir ou pigarrear. O indicador de funcionamento do microfone deve apagar-se assim que esta tecla for pressionada.

Ligar ou desligar o microfone não deverá provocar quaisquer ruídos mecânicos ou eléctricos que possam ser ouvidos pelos conferencistas.

Assim que o microfone do intérprete for desligado, o canal do orador é automaticamente re-injectado no canal da cabina.

9.8 Selector do canal de saída

Além do canal que lhes é atribuído, cada painel de controlo deve permitir seleccionar, pelo menos, dois outros canais de saída, independentemente dos outros controlos instalados na mesma cabina. O canal seleccionado deve ser claramente identificado, junto ao selector, indicando os números dos canais e dos idiomas de forma inteligível, ou seja, de forma alfanumérica.

Dependendo da utilização específica, os canais de saída devem estar providos de um sistema de bloqueio mútuo, de forma a impedir que vários microfones em várias cabinas alimentem um mesmo canal.

De forma a assinalar o funcionamento de um microfone num determinado canal quando um segundo microfone é activado no mesmo canal, os indicadores luminosos que indicam que o microfone está ligado deverão piscar nos painéis ou consolas correspondentes.

9.9 Canal de ligação (ao presidente da mesa, ao orador ou à régie)

No caso do microfone do orador se encontrar desligado no momento em que este começar a falar, os intérpretes devem poder avisar discretamente o presidente e/ou o orador e o técnico, através de um canal audio especial.

Se esta ligação for feita a partir do painel de controlo, deve ser prevista uma tecla especial independente da posição do interruptor do microfone.

9.10 Tecla de chamada (contínuo)

O intérprete deve ter à sua disposição uma tecla que accione um sinal luminoso ou sonoro, que lhe permita solicitar documentos, etc. ao contínuo.

9.11 Código de cores para os indicadores luminosos

Devem ser utilizadas as seguintes cores para os indicadores luminosos ou para os díodos electroluminescentes:

Cores Função
vermelho microfone ligado
vermelho canal de saída ocupado (ocupado/ligado)
amarelo/âmbar/verde todas as outras funções

Não deve existir qualquer indicador luminoso para indicar que um microfone se encontra desligado.

10 Auscultadores para intérpretes

Todos os intérpretes devem dispor de auscultadores. Estes devem ter as seguintes características:

  1. incluir dois auriculares: devem ser tidos em conta os requisitos de higiene aquando da escolha dos materiais e da forma dos auscultadores (o tipo estetoscópio para introduzir no canal auditivo e os circum-auriculares não devem ser utilizados). Caso esteja previsto um revestimento de espuma, por razões de higiene, este deve poder ser substituído e os auscultadores devem poder ser utilizados sem revestimento;
  2. bandas de frequência: de 125 Hz a 12.500 Hz;
  3. massa: £ 100g para os auriculares, £ 200g para os auscultadores, excluindo o fio e o conector;
  4. pressão de contacto com as orelhas: £ 2,5 N;
  5. cerra-nuca: regulável e suficientemente flexível para permitir a sua adaptação aos requisitos individuais de pressão nas orelhas; não deve provocar transpiração;
  6. ligação à tomada: localizada na borda da mesa, por um fio de cerca de 1,50 m com ficha não bloqueável (ver 9.5).

NOTA No caso de este ser utilizado uma consola, o comprimento do fio dos auscultadores deve ser convenientemente adaptado (ver 9.5).

11 Microfones de cabina

Cada um dos intérpretes deve ter um microfone à sua disposição. A direccionalidade dos microfones deve permitir que os intérpretes falem numa posição confortável e a uma distância conveniente. Os microfones devem ser montados de forma a evitar a propagação de ruídos de origem mecânica. Podem ser utilizados auscultadores com microfone, mas nem todos os intérpretes os apreciam.

12 Utilização conjunta de sistemas de sonorização e de sistemas de interpretação simultânea

O feedback sonoro e a reverberação da sala podem prejudicar o trabalho de interpretação simultânea e, em casos extremos, podem mesmo bloquear os processos de memória do intérprete e/ou provocar traumas ao aparelho auditivo.

Além disso, a parte da audiência que escuta a interpretação, pode ser incomodada pelo som dos altifalantes a funcionar ao seu nível normal e alguns sistemas de sonorização não compatíveis provocam interferências. Assim, quer na concepção do sistema de sonorização quer no respectivo controlo de volume deverão ser tomadas todas as medidas de forma a eliminar a reverberação e o feedback na sala.

Nos casos em que os sistemas de sonorização forem realmente necessários (por exemplo, quando a maioria da assistência assiste à conferência no idioma do orador), estes deverão funcionar no seu nível mais baixo.

De forma a que o controlo deste tipo de situações seja feito de forma eficaz, as instalações de interpretação simultânea (multiplex) e os sistemas de sonorização (de via única) deverão:

  • ser alimentados a partir de um único sistema de microfones;
  • comportar dispositivos separados de controlo de volume que permitam ajustar o volume de cada sistema, evitando-se assim que ao reduzir o volume da sonorização, seja igualmente reduzido o sinal transmitido aos intérpretes.

Os controlos de volume de cada um dos sistemas devem estar colocados perto uns dos outros, de modo a que o controlo possa ser efectuado no mesmo local e, de preferência, pelo mesmo técnico.


ANEXO A
(informativo)

Bibliografia

1. ISO 717-1:1996, Acoustics - Rating of sound insulation in buildings and of building elements - Part 1: Airborne sound insulation.

2. ISO 4043:1998, Mobile booths for simultaneous interpretation - General Characteristics and equipment.

3. ISO 11654:1997, Acoustics - Sound absorbers for use in buildings - Rating of sound absorption.



Message Board

  Francine Roy   
Date: 7 Dec 2002 06:54
Subject: éclairage

J'aimerais savoir ce que représent en watts les valeurs de 100 et de 350 lx.

    Loïc Delande   
Date: 14 Jul 2005 11:25
Subject: éclairage

En réponse à votre question, ces unités ne sont pas comparables. Les lux sont une échelle du niveau d'éclairement. La puissance électrique nécessaire pour atteindre le niveau d'éclairement demandé dépendra d'une multitude de paramètres tels que type de lampe ( TL, ampoule à filament, halogène, ... ), de l'optique du réflecteur, ... parmi d'autres.

Le plus simple pour dimensionner correctement l'éclairage dans une cabine est de faire un calcul d'éclairement avec un logiciel spécialisé, comme Dialux, par exemple, qui est actuellement un des meilleurs programme de dimensionnement d'écalirage ( http://www.dial.de )

  Aquil Ali   
Date: 2 Jun 2004 20:33
Subject: CONTENT

Thanks to you all for this interactive web site.

Suggestion: It would be helpful to us architects and designers to include sketches (plans and sections) and graphics of the iterpretor's and operator's booths and their siting (side or at the back) in relationship to the conference room.

Aquil



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Características Gerais e Equipamento


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